De acordo com diversos estudiosos da língua, a variação estilística tem a ver com os papeis sociais que a pessoa desempenha na comunicação. De acordo com o nível de formalidade que a situação exige, será usada uma linguagem mais monitorada ou menos monitorada conforme nos explica Izete Coelho (2015, p. 46), Carlos Alberto Faraco (2017, p.201), Stella Maris Bortoni-Ricardo (2005, p.132), Marcos Bagno (2013, p.79).
Vamos verificar neste vídeo como é a língua que a gente fala em nosso dia a dia. Tem jeito certo ou errado de falar? O que você acha?
Neste vídeo, observamos a importância da comunicação entre as pessoas, o esforço de se fazer entender, adequando a língua às diversas situações de comunicação, sejam elas com mais formalidade ou menos formalidade.
No vídeo (Sotaques do Brasil 1), que assistimos na aula anterior, a jornalista Sandra Annemberg pergunta para o Evaristo:
__ Evaristo, começo te perguntando, como você fala a palavra /porta/?
Evaristo responde:
__ Aqui no jornal eu falo igual a você: /porta/, originalmente eu falo /porta/!(r retroflexo ou popularmente /r/ caipira)
Percebemos que o jornalista Evaristo não fala da mesma forma no ambiente de trabalho e em casa. Você sabe por quê?
Segundo uma grande estudiosa da Língua Portuguesa, Stella Maris Bortoni-Ricardo a fala em eventos públicos são diferentes da fala em eventos privados. Em contextos mais familiares, realizamos a linguagem menos elaborada, com um "mínimo de atenção à forma da língua" (Bortoni-Ricardo, 2004, p.62) e em eventos que requer mais atenção, um tratamento mais cerimonioso, realizamos a língua de uma forma mais monitorada, com uma maior atenção ao que estamos falando ou escrevendo.
No vídeo (Sotaques do Brasil 1), que assistimos na aula anterior, a jornalista Sandra Annemberg pergunta para o Evaristo:
__ Evaristo, começo te perguntando, como você fala a palavra /porta/?
Evaristo responde:
__ Aqui no jornal eu falo igual a você: /porta/, originalmente eu falo /porta/!(r retroflexo ou popularmente /r/ caipira)
Percebemos que o jornalista Evaristo não fala da mesma forma no ambiente de trabalho e em casa. Você sabe por quê?
Segundo uma grande estudiosa da Língua Portuguesa, Stella Maris Bortoni-Ricardo a fala em eventos públicos são diferentes da fala em eventos privados. Em contextos mais familiares, realizamos a linguagem menos elaborada, com um "mínimo de atenção à forma da língua" (Bortoni-Ricardo, 2004, p.62) e em eventos que requer mais atenção, um tratamento mais cerimonioso, realizamos a língua de uma forma mais monitorada, com uma maior atenção ao que estamos falando ou escrevendo.
O vídeo a seguir é um trecho da série Palavra Puxa Palavra da MultiRio, produzida para mostrar algumas das variações da Língua Portuguesa:
As pessoas não falam o tempo todo da mesma forma.
Há variação na realização da língua.
E entre a fala e a escrita? Também ocorre variação
O que você acha? Por quê?
O que você acha? Por quê?

A fala e a escrita

A fala e a escrita dependem também da situação de comunicação.
Vamos assistir a um vídeo que fala exatamente sobre isso.
Vamos assistir a um vídeo que fala exatamente sobre isso.
Nos vídeos que já assistimos percebemos que a língua que falamos e escrevemos apresenta muitas variações, não permanece de uma mesma forma o tempo todo. Tanto as mensagens da fala quanto da escrita precisam ser adequadas ao meu interlocutor para haver entendimento.
Na fala espontânea, a adequação é feita no momento da transmissão da mensagem, enquanto que na escrita temos mais tempo para organizar melhor a mensagem que queremos transmitir, até mesmo reescrevendo trechos tornando-os mais claros, mais compreensíveis para o leitor. Todos nós, ao escrever textos mais formais, precisamos utilizar de rascunhos. Os grandes escritores escreviam seus textos em rascunhos, antes de publicá-los, vocês sabiam?Vejam o rascunho da importante obra literária "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa:

O que você conclui com isso?
Para nossa reflexão:
- Há uma NORMA (regra) que descreve a língua, mas como a língua em uso é heterogênea, dentro da norma considerada mais formal (culta) há variações e na norma considerada menos formal (popular) também há variações. É por isso que precisamos fazer adequações no uso da língua dependendo das situações de comunicação.
- A língua que usamos, tanto a escrita quanto a falada, é muito rica e reflete quem nós somos: a nossa identidade.
- Não falamos/escrevemos sempre do mesmo jeito, em todas as situações de comunicação. Dependendo do lugar, da pessoa com quem falamos, da situação usamos a língua de forma diferente, desde situações de falas mais espontâneas , com menos monitoramento até aquelas situações onde a fala precisa ser mais planejada, que exige mais atenção com mais monitoramento, segundo a pesquisadora Stella Maris Bortoni-Ricardo (2004, p.62). Da mesma forma também ocorre na escrita: uma lista de compras será menos monitorada do que uma resposta de uma prova em sala de aula ou um texto que será exposto na escola. Num jornal, por exemplo, podemos encontrar numa mesma folha gêneros textuais diferentes: artigo, crônica, previsão de horóscopo, charge, tirinha, etc. Portanto, podemos perceber que existe uma "fala espontânea e escrita espontânea, como também existe fala formal e escrita formal", conforme nos orienta o famoso estudioso da língua chamado Marcos Bagno (2013, p. 89).
- Na língua oral mais espontânea é muito comum as repetições, a quebra na sequência de idéias, o uso de vocábulos de apoio na conversação como: né, tá, entendeu, hum, mas, atualmente, com o uso da internet, as diferenças entre a língua oral e escrita têm diminuído. Veremos sobre isso um pouco mais adiante, no próximo link.
- A variedade culta é geralmente associada às camadas mais ricas da sociedade, cujos falantes têm mais escolaridade, têm um salário melhor e vivem nas cidades, conforme declara Coelho (2015, p.15).
- Como a língua é heterogênea, existem várias normas que a descreve. Existe a norma considerada culta, em que há variações em seu uso e são mais monitoradas e prestigiadas socialmente. Por outro lado, existem algumas normas consideradas menos formais, chamadas normas populares, que também apresentam variações em seu uso e são consideradas desprestigiadas e por conta disso, seus falantes acabam sofrendo preconceito linguístico.
Segundo um estudioso da língua chamado Carlos Alberto Faraco "Todo falante da língua é um camaleão linguístico" (FARACO, 2017, p.202).
Como assim?
O camaleão é um animal que muda de cor de acordo com o ambiente em que está e faz isso para sobreviver.
<https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-o-camaleao-consegue-mudar-de-cor/>. Acesso em 15 agosto 2018.
Trazendo para a realidade de uso da língua, ser um camaleão linguístico significa, segundo Faraco (2007, p.201-202) que cada falante é capaz de adequar sua fala, sua expressão linguística ao contexto de comunicação em que se encontra: se mais formal ou menos formal, se o interlocutor é mais jovem ou mais idoso, se é um bebê ou um adolescente, se é alguém mais íntimo ou um desconhecido. São tantas características e propósitos de comunicação que, verdadeiramente, o falante é um camaleão linguístico ao fazer adaptações para conseguir se fazer entender nos múltiplos ambientes em que se encontra.
Por que ocorre, então, o preconceito linguístico?Vamos ver como isso acontece?
No vídeo que acabamos de assistir, vimos que o preconceito linguístico está atrelado ao preconceito social. Existem alguns mitos, segundo o estudioso da língua Marcos Bagno (2013, p. 73-116), de que existe um jeito certo de falar e todos os outros são errados, que a norma culta é a única que possui regras, desconhecendo que não existe falante de estilo único, ou seja, não usamos a língua sempre do mesmo jeito em todas as situações.
Muitas palavras e expressões da norma popular são extremamente importantes para seus
falantes e não podem
e nem devem ser desvalorizadas pelos falantes da norma culta. Isso sim, é um preconceito linguístico e precisa ser combatido!







